Filipe Alves Pinto

Uma viagem Espontânea ao mundo das artes*

Publicado por Filipe Alves Pinto em Dezembro 8, 2008

Cruzam-se olhares e vivências. Misturam-se idiomas, cores e cheiros. Um espaço de e para a arte, de estímulo dos sentidos e das emoções. É assim a Espontânea, que desde o Verão de 2006 oferece a Vila Real uma alternativa cultural aos lugares comuns do quotidiano.

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Na Espontânea nada é deixado ao acaso. Desde a meia-luz, que nos chega de candeeiros que são também pequenas peças de arte e de velas cuidadosamente espalhadas pela casa, à música, tudo é pensado com o fim de proporcionar um ambiente acolhedor, diferente, quase familiar. Divagando pelos espaços, quase tudo é possível ver e fazer. Quem procura um atmosfera mais animada, tem à disposição um bar, onde o objectivo não é o lucro, mas sim a elevação da alma dos associados, ou uma mesa de matraquilhos, num espaço de acesso ao bar, que permite saudáveis competições entre amigos e desconhecidos. Para aqueles que preferem uma ambiência mais serena, existe a “sala dos meninos” onde o som de uma música suave convida à conversa sem necessidade de elevar a voz, ao desafio de jogos de tabuleiro ou mesmo ler, enquanto se saboreia um bom vinho ou chá. O ambiente único proporcionado pela aura singular e quase mística do Palacete de São Pedro, casa carregada de história e histórias, habitada em tempos pela “Ferreirinha”, quebra barreiras e leva a que, quase forçosa e inconscientemente, se crie uma cumplicidade indelével entre aqueles que frequentam a colectividade.

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Jornalismo, Verdade e Política II

Publicado por Filipe Alves Pinto em Novembro 22, 2008

 

Em jornalismo cruzam-se interesses, verdades e visões díspares de uma mesma realidade, todas elas “verdadeiras”, quanto é possível a uma aproximação da Verdade sê-lo. No tratamento informativo do discurso político jogam diversos factores, desde o conhecimento por parte do jornalista em relação à realidade retratada, à distorção ideológica dos factos. A quantidade e o à vontade da (des)informação que circula, nomeadamente através da Internet possibilita, por um lado, um acesso mais completo a esta, no entanto sem a qualidade muitas vezes desejável. Qual o papel do jornalista no discurso político? Onde fica a Verdade no meio disto tudo? Este é um tema mais do que debatido, no entanto, longe de ser encerrado. Leia o resto deste artigo »

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Líder da JSD acusa PS de “laxismo”

Publicado por Filipe Alves Pinto em Novembro 21, 2008

Pedro Rodrigues, líder nacional da Juventude Social-Democrata, apontou baterias a José Sócrates e ao governo socialista na passada quinta-feira, 14 de Novembro, num encontro com jovens universitários na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

O líder do órgão partidário acusou o executivo de “promover o laxismo e o facilitismo” no ensino secundário. Usando de ironia, afirmou mesmo que José Sócrates “olha para o ensino secundário português com os mesmos níveis de rigor com que acabou a sua licenciatura”. Segundo o responsável partidário, o executivo socialista procura melhorar as estatísticas relativas ao sucesso escolar, em detrimento da capacitação dos estudantes. “Isto é tudo para que os números do insucesso escolar baixem, para o Governo fazer boa figura na OCDE; a malta fica contente porque vai passando de ano e as famílias adoram”, disse.

A organização do Ensino Superior também não escapou ao líder da juventude democrata, que defendeu uma reorganização e concentração dos cursos em função das regiões em que se inserem e o abandono da actual multiplicação de universidades e dos mesmos cursos públicos, por vezes na mesma cidade. Pedro Rodrigues exemplificou com o caso de Lisboa, classificando como um “disparate” a existência de três instituições de Ensino Superior do Estado na capital. “Bem sei que é bom para os reitores; há três reitores, seis vice-reitores, há mais professores”, apontou.

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Vila Real (re)visitada

Publicado por Filipe Alves Pinto em Setembro 24, 2008

Centro histórico, centro de histórias

Permanecendo uma cidade de reduzida dimensão, Vila Real foi-se expandindo e perdendo população para a sua periferia nos últimos anos. O centro histórico, marcado por zonas como a Rua Direita, é hoje quase exclusivamente comercial. A Voz do Marão faz nesta reportagem o seu retrato, junto de quem ainda hoje ali defende a memória de tempos cada vez mais esquecidos.

Percorrendo as ruas heterogéneas do centro histórico de Vila Real, perdemo-nos com facilidade por entre a variedade de cor que nos chega das tradicionais lojas de artesanato, de antigas pastelarias e cafés, tabacarias, floristas, barbearias, relojoarias e quiosques. Locais como a Rua dos Combatentes da Grande Guerra (Rua Direita), o Jardim da Carreira, a Rua 31 de Janeiro ou a Avenida Carvalho Araújo são alguns dos locais onde se pode encontrar aquilo que de mais pitoresco e característico há na cidade e que se transformam em local de eleição para um passeio de fim de tarde.

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Sete Sóis Sete Luas II

Publicado por Filipe Alves Pinto em Setembro 21, 2008

A entrevista a Paul Rusesabagina, no fim do simpósio, foi talvez o trabalho mais marcante do curto período de trabalho no OPJ. Ainda mais, talvez, por se tratar do último texto que escrevi antes de abandonar a redacção.

 

 

ENTREVISTA A PAUL RUSESABAGINA

“Ninguém me veio pedir perdão”

 

Em entrevista a O PRIMEIRO DE JANEIRO no final do simpósio da Feira, Paul Rusesabagina conta como nunca ninguém lhe pediu perdão pelos familiares mortos no Ruanda. A partir da sua experiência pessoal, explica como África pode ser verdadeiramente livre e qual a responsabilidade do Ocidente e dos africanos. Explica que “não se pode marcar golo estando sentado na bancada do estádio”. 

Como vê os acontecimentos de 1994, agora passados treze anos, e como vive com isso?

Imediatamente a seguir, em 1994, três meses depois do genocídio, eu estava muito amargurado, muito zangado com toda a gente, e não queria falar sobre isso. Isolei-me e passei a tratar dos meus negócios, mas apercebi-me que, ao manter isto só para mim, estava a frustrar-me a mim próprio, estava a torturar-me a mim próprio. Decidi então parar de me esconder e falar sobre isso, e percebi então que a melhor terapia na vida é falar. Quando falamos, partilhamos o nosso pensamento com os outros. Quando ao invés de partilhar o que pensamos com outros, guardamos tudo só para dentro, aí sofremos. Também percebi que, se queria que alguma coisa mudasse, eu teria de assumir um papel. Se quiser marcar um golo, suponhamos num jogo de futebol, se ficar somente a olhar na bancada nunca vou marcar um golo. Eu decidi então avançar para o campo e passar a jogar, foi assim que me tornei um humanitário.

Isto é uma pergunta ainda mais pessoal… foi capaz de perdoar os assassinos e as mortes do seu cunhado e das pessoas que lhe eram próximas? Leia o resto deste artigo »

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Sete Sóis Sete Luas

Publicado por Filipe Alves Pinto em Setembro 21, 2008

A seguinte peça peça foi publicada n’O Primeiro de Janeiro em 3 de Dezembro de 2007 e nela faço a cobertura de um simpósio em Santa Maria da Feira, entre cujos oradores se destacou Paul Rusesabagina. 

VI Simpósio Sete Sóis Sete Luas Em Santa Maria Da Feira

O indivíduo e o mundo em debate

O VI Simpósio Sete Sóis Sete Luas trouxe, no passado Sábado, a Santa Maria da Feira diversos actores da cena internacional, dos quais o mais célebre seja talvez Paul Rusesabagina, que salvou mais de 1200 pessoas durante o genocídio no Ruanda, retratado no filme Hotel Ruanda.

O humanitário Paul Rusesabagina, célebre por ter salvo mais de 1200 pessoas durante o genocídio de tutsis no Ruanda em 1994, o jornalista e filósofo francês Bernard-Henri Lévi, o escritor, poeta e activista contra o racismo marroquino Tahar Ben Jelloun e o psicanalista e professor catedrático português Carlos Amaral Dias foram os convidados presentes no VI Simpósio Sete Sóis Sete Luas – IDENTIDADES: diverCIDADE global moderado pelo jornalista Carlos Magno no passado Sábado no auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira. O tema abordado pelo painel de oradores versou sobre temas como os direitos humanos, a ética, a identidade e o valor do indivíduo nas sociedades.

Escolha de uma vida

Em 1990 teve início a guerra entre hutus e tutsis, sendo que os segundos se deslocaram para as colinas ocidentais do país. Paul Rusesabagina mostrou ter bem presente a memória do dia 6 de Abril de 1994, em que o avião presidencial foi abatido. Encontrava-se em plena celebração familiar, com o seu cunhado e respectiva esposa. “Essa foi a última vez que vi o meu cunhado, pois eles foram massacrados”, disse. A morte do presidente terá sido o incidente que culminou com a barbárie que, nos três meses seguintes, levou à chacina de aproximadamente oitocentos mil ruandeses, sobretudo de etnia tutsi.

Foi nessa altura que Paul Resesabagina se viu perante a escolha que influenciou toda a sua vida desde então. “Estava numa situação complicada e decidi pelo melhor”, confessou. No dia em que os militares lhe bateram à porta, Paul tinha mais de duas dezenas de pessoas, entre familiares, amigos e vizinhos, em casa, que procuraram junto de uma pessoa com alguma influencia local uma protecção relativa. Quando os militares lhe pediram que os acompanhasse este disse que não poderia partir sem a sua família, referindo-se a todas as pessoas que se encontravam com ele. Paul chegou mesmo a ser confrontado com uma ordem para que assassinasse aqueles que com ele se encontravam, e teve que usar de um forte poder de negociação para chegar com vida e com toda a sua família ao Les Milles Colines. “Pela primeira vez na minha vida tive muito medo. Eu tinha enfrentado o mal e chegado a um consenso”, confessou. Este “consenso” terá passado pela troca das vidas que consigo se encontravam por dinheiro, revelou. Leia o resto deste artigo »

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A Lei da discórdia

Publicado por Filipe Alves Pinto em Setembro 20, 2008

Esta pequena primeira reportagem nunca chegou a ser publicada, nem concluída. Tal deveu-se ao cancelamento do projecto para o qual foi projectada, uma revista mensal do Mensageiro Notícias. O tema, na altura pertinente, a lei do tabaco. O trabalho, que nunca cheguei a concluir e ao qual falta uma análise detalhada da lei, conta no entanto com uma série de pequenos depoimentos que vão desde o especialista em pneumologia e director da Faculdade de Medicina do Porto, Agostinho Marques, e do jurista Mário Frota, a alguns proprietários de estabelecimentos de Vila Real afectados pela nova lei. A concretizar-se o projecto, esta reportagem ter-se-ia publicado algures em Fevereiro deste ano.

A Lei da discórdia

Segundo o Inquérito Nacional de Saúde vinte e oito por cento dos homens e dez por cento das mulheres portuguesas são fumadores. Todos os anos surgem, em Portugal, perto de 3500 novos casos de cancro do pulmão, sendo que mais de metade dos doentes acaba por morrer. As cifras internacionais indicam que noventa por cento destes casos resultam directamente da inalação do fumo do tabaco. Destes noventa por cento, entre dez e vinte e cinco por cento dos casos resultam do chamado “fumo passivo”. Em 1 de Janeiro entrou em vigor a Lei n.º 37/2007, que veio regular o consumo e a exposição ao fumo do tabaco em locais públicos. Na sua introdução pode ler-se que a mesma “aprova normas para a protecção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco e medidas de redução da procura relacionadas com a dependência e a cessação do seu consumo”. Defesa da saúde dos trabalhadores e dos não fumadores, dizem uns, atentado à liberdade individual dos fumadores, dizem outros.

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“A Verdade e a Política”

Publicado por Filipe Alves Pinto em Setembro 18, 2007

O quarto ciclo de debates do auto intitulado “clube de pensadores” iniciou-se na passada segunda-feira com um debate que pretendeu debater o lugar da verdade na política. Foi mais uma ovação a uma específica e determinada visão de “verdade” do que um verdadeiro debate sobre a essência da verdade na política, ou não fosse a convidada especial a “controversa” Ana Gomes, que não se conseguiu abstrair por nem um minuto da defesa da ideologia e da “verdade” socialista, deixando o verdadeiro debate para os restantes oradores e para a assistência.

Entre outras coisas, Ana Gomes criticou (veja-se!) a crescente valorização da eficiência em detrimento da ideologia, e a consequente aproximação ao “centro” dos partidos de Poder! Ora, não vivemos nós, e cada vez mais, numa realidade sócio-económica global e hiper-competitiva, em que a eficiência das medidas de um governo é de importância vital? De que nos serve a ideologia se esta não melhorar as nossas condições de vida? E boas condições de vida não se resume a “ter coisas”. Boas condições de vida é viver numa sociedade estável que nos permita com segurança olhar o futuro. E isso não se faz com ideologia. Fazer-se-ia se houvessem ideologias, suportadas por partidos aptos a governar, que não defendessem o bem comum. Mas não é isso que acontece. Salvo raras excepções em que é visível a emergência de movimentos extremos, tanto à esquerda como à direita, a ideologia dos partidos tem como fim último a justiça e a melhoria do bem estar comum dos cidadão. Ideologicamente diferem entre si, mas essas diferenças esbatem-se no plano do real, em que é necessário tomar medidas concretas quanto a problemas concretos. E, no plano real, se se preterir a eficiência em favor da ideologia, o País afunda. E afunda quanto mais irrealistas (ou socialistas, não vou discutir semântica) elas forem! Nem me vou dar ao trabalho de explanar a parte do discurso da senhora deputada que se resumiu a um enaltecer das verdades ideológicas socialistas.

Talvez a intervenção mais oportuna do debate tenha sido a da advogada Maria Manuel, que salientou que a verdade e a mentira o são conforme a óptica por onde queremos olhar, e que a Política não é mais do que, actualmente, “a ciência do Poder do Estado”. Salientou ainda que a principal responsabilidade de um político é “primeiro, quais são os recursos que tem ao seu dispor para satisfazer o maior número possível de necessidades do todo populacional, recursos esses que são escassos, depois, como actuar, quais as prioridades, e depois assumir a opção tomada”. Conseguem ver a diferença entre quem defende ideologia e quem defende eficácia, realidade, bom-senso, como lhe queiram chamar?

Fabulosa foi a intervenção do psiquiatra Carlos Pereira, que disse que “os partidos estão esgotados” e que “a qualidade dos nossos políticos é muito má”. Usando de algum humor, o psiquiatra disse que “isto começa a ser mau demais”, principalmente quando os políticos vão para Lisboa e se tornam “alisbonados, deslumbrados com aquele poder e algum dinheirinho”. Joaquim Jorge, confesso socialista, não se coibiu de criticar o governo do seu próprio partido, acusando-o de não cumprir com as promessas eleitorais, aproveitando para generalizar, dizendo que em Portugal “há uma naturalização política da mentira”. Acusou ainda a classe política portuguesa de parecer “uma nobreza que vive numa redoma”, sem noção do que é a vida real. Não poderia estar mais de acordo.

Se este post fere algumas sensibilidades socialistas, então que fira! A reflexão e a discussão são desejáveis e saudáveis. Além do facto de que tenho de “expiar os meus demónios” em algum lado que não o PJ…

 

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Para España!

Publicado por Filipe Alves Pinto em Setembro 15, 2007

Acabei de impulsivamente enviar um pedido de emprego a um “periodico” galego. Não sei qual será a abertura de um meio de comunicação galego para receber recém-licenciados portugueses, que não “hablan” nem “Gallego” nem “Español”, mas sim um cómico “Portunhol”.

De qualquer forma, fica a esperança de, com pouco suor e sacrifício (admiro quem esteja disposto a derramar “sangue e suor”, mas sou adepto, sempre que possível, da via mais fácil), tentar a sorte num país que fica já ali ao lado, e em que, espero, as condições de trabalho sejam mais apelativas. Além de, claro, começar já a sentir de novo o bichinho para “sair daqui”… A ver vamos.

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Que se dane!

Publicado por Filipe Alves Pinto em Setembro 15, 2007

Este meu “que se dane” do post anterior não terá sido das minhas “observações” mais felizes. Mas “que se dane”. Por vezes um simples/simplório “que se dane” é o melhor que posso fazer para evitar o uso do vernáculo.

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